Itararé, Cidade de Artistas - O Rock Aqui é Rota Sul

Itararé, Cidade de Artistas - O Rock Aqui é Rota Sul
Só os imbecis são felizes (Silas Correa Leite, in, Provocações, TV Cultura)

DECLAMAR POEMAS - Silas Correa Leite de Santa Itararé das Artes


Declamar Poemas

Não gosto de decorar poemas
Prefiro falar poemas com um livro na mão
O livro é meu instrumento musical.
(Solivan Brugnara)

Para Regina Benitez

Não fui feito para declamar poemas
Ter timbre, empostar a voz, tempo cênico
E ainda dar tom gutural em tristices letrais.

Não fui feito para decorar poemas
Malemal os crio e os pincho fora
Pro poema saber mesmo quem é que manda.

Não fui feito para teatralizar poemas
Mal os entalho e deixo que singrem
Horizontes nunca dantes naves/gados.

Não fui feito para perolizar poemas
Borboletas são pastos de pássaros
Assim os poemas que se caibam crusoés.

Não fui feito para ser dono de poemas
Eles que se toquem e se materializem
Peles de pedras permitem leituras lacrimais.

Não fui feito nem para fazer poemas
Por isso nem cheira e nem freud a olaria
Apenas uso estoque de presenças jugulares.

Não fui feito eu mesmo. Sou poema
Bípele, cervejólo, bebemoro noiteadeiros
Quando ovulo sou fio-terra em alma nau.
-0-
Silas Correa Leite, Itararé-SP
E-mail: poesilas@terra.com.br

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Poemas de Silas Correa Leite




Poemas de Silas Correa Leite



Poemas de Outono

P E R G U N T A M E N T O S

“Tenho de dar de comer ao Poema – Murilo Mendes

01)-Miseris Nobilis

volta e meia paira sobre mim
o medo da miséria e da fome
da minha infância humilde

então trabalho e estudo e escrevo
feito um condenado à vida
que só na loucura santa de sobreviver criando
encontra a sua espécie de cura

meus versos são pães dormindo
uma realidade substituta




02)-Teatro de Ocupação

Cansei de existir
Mas estudo, trabalho, luto para não
Repetir
A dose.
Morrer é passar de ano?

Luto para não me ferir
Mais do que me fere a existência
De ser
Um homem.
Viver é reparar dano?

Existo para inquirir
O nojo, o horror da vida, a cruz
Do medo
Da fome.
Escrever é baixar o pano?





03)-Violões

Invejo quem toca violão
Violão é o céu plangente
Na ponta dos dedos, na palma da mão
Como um corpo de mulher estridente
Em que você pratica a levitação
E gera música, harmonia, gente
Orquestrando a alma-nau da afinação.


04)-UTOPIA



detesto silêncio quando estou existindo

quando foi mesmo que existi?

detesto barulho quando estou escrevendo

que lugar me fujo no criar?

detesto existir quando escrevo poemas

que lugar me sou a fazer versos?

sou nada e tudo - qualquer parte

ESCREVENDO PARA FUGIR DE ME SER









05)-Guerra & Paz




Trabalho numa biblioteca pública
De vez em quando os personagens
Dos clássicos vêm conversar comigo



É nessas horas que me enlivro.




06)-Labore



Tentei esquecer

Tudo o que a vida me fez sofrer

Mas como eu escreveria

Poesia


Sem o laboratório de me ser?



07)-Oito Quedas



hoje eu acordei

meio foz do iguaçu

ouvindo blues

desaguando poemas



O buraco das Sete Quedas é mais embaixo







08)-Laranja




botaram o ceguinho pra vender laranjas

no farol da Paulista com a Consolação



o pobre vendeu todas as frutazinhas

mas não viu nenhum tostão









09)-Furta-Cor



A

Solidão

Me

Protege






10)-Autoridade Civil




E SE A POLICIA TAMBÉM FOSSE PRESA UM DIA


POR DESACATO AO EXERCICIO DE CIDADANIA?




















11)-O Papagaio e a Pia

gota a gota a torneira pinga e chia

na pia da cozinha

o papagaio da casa vizinha

olha escuta aprende e espia


quando finalmente consertaram a pia

o papagaio já decora

e pia como uma pia marmórea

na sua entoação sonora


pior do que uma pia alada

seria uma torneira

pois fica chato na casa fechada

um papagaio imitando

uma gota vazada


12)-NEOLIBERALISMO (Cínico Estado Mínimo)

não há vagas

não há vagas

não há vagas

(Aceitamos Escravos)




13)-Mariposa




a mariposa suicida



na lâmpada apagada



espera amanhecer a noite




14)-Genuflexório






Minha mãe


Tirava lágrimas


Dos joelhos















15)-Xerox Quebrada




tenho tantas histórias pra contar


tenho tantas histórias pra contar


tenho tantas histórias pra contar





16)-IDIOTAS



Precisamos de idiotas

Para arredondar

A idéia da banalidade

Bipolar


E ainda há gente vulgar

Que acredita em genialidade


A morte é o atestado jugular

De nossa finita imbecilidade



Dá pra acreditar?




17)-Poema do Cego Pulando Amarelinha

O cego pulando amarelinha
Toma o anjo pela mão
Você só vê o gesto táctil do cego não
Vê jamais o anjo na sua condução
Em cada estágio de saltar sem pisar na linha.

O cego pulando amarelinha
Parece flutuar num balé
E sonda-o a rua de Itararé inteirinha
Perguntando o que nele enseja tanta fé
Céu e inferno; o cego parece que advinha...

O cego e a sua amarelinha
Parece um milagre até
Toma-o pela mão o anjo; o cego se aninha
E pula e salta e vence e acerta o pé
Talvez porque céu ou inferno só dentro da gente é.





18)-Pirilâmpado

“Ninguém pode pensar, sentir ou agir
Senão a partir da própria alienação...”
R. D. Laing

Se quero sobreviver preciso esquecer que meu corpo é uma carcaça.
Uso as palavras para recompor minha vida exangue.
Tento compreender o absurdo da existencialização.
Prezo a morte e leio escombros na angústia-vívere.
Tenho em mim a decadência-preço de Existir.
Não fui aparelhado espiritualmente para suportar a vida.
Minha infância pobre é o mundo que trago às costas como uma lesma com carcova.
Sou um renunciante à vida que respira a tristeza no caos.
Amo os silêncios porque deles tiro filés de santas palavras.
Caibo em despertencimentos, desabandonos e desespelhos com a consciência saturada.
Minha palavra é a minha voz como o estertor de um vagido.
Existir dói e faço doer os engenhos e açudes das palavras.
Uso as esporas das palavras em verso e prosa para refazer a vida que me deram como uma sentença-castigo.
Se eu escrever ansiedades perdoem o inexato corte de pelica da dor em mim lavrada.
Não tenho fórmulas para escapar ileso e não estou impune.
Sou um bebedor e comedor de verbos feito um Pirilâmpado.
Dou ciência de mim aos efêmeros insensíveis como potes de vísceras.
Não me leiam se não querem se assustar de serem a si mesmos revelados como carcaças em espelhos turvos.
Sou por acaso aqui e ali uma espécie de rebrilux. Os gemidos de noiteadeiro falam por mim, me descrevem.
Palavras me são remédios. Correm no meu sangue. Regurgito.
Como se adubos de palavras em ordinárias bateias de granizo.
Sou inventariante de angústias humanas, escondo-me em bibliotecas
E bebo de lanhos de meu próprio sangue letral
Envenenando-me da dura e triste carcaça Sobrevivencial.












19)-Tintas (Água, Sal e Muro)



Um índio pode deixar suas terras muito além das montanhas e florestas
Passar por divisas, armadilhas - entrar em grandes metrópoles urbanas tristes
Mas, ainda dentro de um shopping, no meio de uma praça pública ou túnel
Um índio será sempre um índio

(Tenho sangue índio, negro e judeu em mim)

Um negro pode ter deixado a sua aldeia numa distante savana da África-Mãe
Passar por moendas, engenhos, bandas de blues ou resistências espirituais
Mas, ainda dentro de uma catedral, no meio de anjonautas ou solitário
Um negro será sempre um negro

(Tenho sangue índio, negro e judeu em mim)

Um judeu pode deixar sua sinagoga, suas tribos, seu cântico do talmude
Passar por diásporas, derramas, cálices, trevas, êxodos ou inquisições
Mas, ainda que esteja cordeiro tosquiado no vale da sombra da morte
Um judeu será sempre um judeu

(Tenho sangue índio, negro e judeu em mim)

............................................................................

Sou a mistura de horizontes, fermentos; salmos e renascimentos alados
Sou água, sal, muro das lamentações, ancouradouros e flores de jasmim
O que mais sou numa aquarela de mistura quando escrevo todas as tintas de mim?
Sou a dor do índio vitimado
Sou a cor do negro escravizado
Sou o horror do judeu exilado
Sou lágrima, arado, pensagem, querubim
Sou todos os seres humanos numa palheta misturado
Sou a raça humana - a espécie que erra
Sou o bom cabrito que no poetar berra
E sou, ainda, a minha própria terra
Eu mesmo um Brasil indecifrável lá dentro de mim








20-My Way



My Way


Um dia você acorda e olha pra trás
E diz: eu não era nada.
E vê toda vida que fez do seu jeito
E pergunta: terá valido a pena?
Você acha que venceu na vida
Mas sabe: o que restou de você?
Talvez muito pouco ou quase nada
Daquilo: uma criança pura.

Um dia você cai em si e teme
O resultado: o que fizeram de você
A luta a dor, as amarguras e
Seqüelas: terá sido uma vitória?
Dentro do seu coração os sonhos
E as escuridões: são os poemas
Que você escreve porque tem medo
De se matar: morrer depois de tudo?
..............................................................
Um dia você não quer olhar pra trás
E nem pra você: foge para a poesia.

(Na escrita há um tempo irreal
Uma ilhota íntima: você em você!)

-0-

Silas Correa Leite
Santa Itararé das Letras
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

OS POBRES - Poema Social de Silas Correa Leite





Poema Social

OS POBRES

Estamos em todos os becos, vielas, cortiços, palafitas
Como estamos em torres, naves, subterrâneos, trilhas
Ou em bancos, tribunais, igrejas, palácios, aeroportos
Como estávamos desde muito antes de antigamente em pirâmides
E ainda um dia certamente estaremos nas salinas radioativas de Marte
Somos sempre a maioria absoluta
No teatro de operações ocupamos imenso espaço referencial, somos
OS POBRES !

Somos a chamada grande massa populacional
Negros, quase brancos, mestiços, mamelucos, brasilíndios, afrogente
E sonhamos, construímos, somamos, geramos
Em campos, cidades, favelas, exércitos, núcleos sociais
Somos a humanagente
Somos OS POBRES !

Já não somos tão gado marcado
Ultrapassamos as barreiras do redil inumano
Fugimos do curral das vis aparências hostis
No Brasil, agora, pobres viajam, têm carro, celular, casa; passeiam de avião...
Assustam os insensíveis que têm desconhecimento histórico de riquezas injustas
Somos a maioria absoluta da população
Brasileirinhos e brasileiríssimos
Estivemos por centena de anos no bico do corvo como o joio social
Mas sobrevivemos
Nós somos OS POBRES !

Podemos fazer faculdades, erguer nossa casa, usufruir tecnologias
Não precisamos mais vender as nossas férias para não passar fome
Não precisamos mais verter o nosso sangue para ter o que comer
Nem mendigar um prato de comida, um pedaço de pão
Nossos filhos, nossos amores; perante a historia que é remorso
Sabem que tudo foi revisitado – com um operário padrão
Que se construiu presidente e elegeu como Seres Humanos, cidadãos
OS POBRES!

Estamos na escala da inclusão social
Milhões saíram da amargura da miséria absoluta
Temos três refeições por dia
Finalmente alguém pensou em nós - os excluídos, os descamisados, os Sem Teto, Sem Terra, Sem Amor pátrio
Temos muito amor para dar
E não vamos dar a nossa cota de dor aos que nos vitimaram, nos marcaram: eles não suportariam...
Nem daremos nossa taxa de trevas no historial de nosso sangue lavrado
Somos o Brasil também agora
A cara, a cor, a coragem, a música, o futebol, o significante e o significado:
SOMOS O POVO !

Um homem público que veio do povo para o povo
Finalmente, depois de mais de 500 anos
Nos proveu, nos pensou, reparou em nós e nos estendeu a mão pública
Abriu as portas do palácio para o povo
Para os órfãos das ruas de amargura
Que país era esse, que era só rico para os ricos
E não era rico também para o restante carente da população sempre expropriada?
Agora é um país de todos para todos
O POVO
Do qual todos poder emana e em seu nome deve ser exercido.

Sobrevivemos. As mãos lanhadas. Os olhos tristes. A fome, a fome!
Sobrevivemos, Pátria Mãe
Comemos o pão que o diabo amassou.
Índios mortos: milhões
Negros escravos e mortos: milhões
Operários como ovelhas tosquiadas pela máquina insana do lucro a qualquer preço, a qualquer custo
Sobrevivemos para contar a história e somos também agora sujeitos da história
A nossa presença foi reconhecida
Somos os POBRES
Somos o POVO !

O Brasil já não está mais deitado em berço esplêndido
Nós nos levantamos, coragem irmãos, coragem
Subimos nos ombros de um gigante metalúrgico para enxergar mais longe
Cá estamos, irmãos, cá estamos em lágrimas
E finalmente reconhecidos na identidade sagracial de uma nação emergente
Em terra que emana leite, pão e mel

Ainda há muito o que fazer, conquistar, buscar democracia social
Tardou a justiça que finalmente começou e viça
O metalúrgico operário aleijado pela máquina nos resgatou
Governou para todos
Governou para o povo
Somos pobres mais temos deveres – e direitos.
A esperança venceu o medo, a mentira, a hipocrisia, a opressão social histórica
A pátria amada ouve o brado retumbante
O povo tomou a direção da barca
Os pobres em ascensão social
Somos a maioria e somos reconhecidos, temos alma e coração
Os braços fortes, a braveza como voto de luz
Não somos mais peças de reposição para riquezas injustas, lucros impunes, propriedades roubos
Sofridos mas vitoriosos deixaremos um país melhores para os nossos descendentes
A Nação Brasil agora tem um Povo para chamar de seu
Salve Limpo Pendão da Esperança
Pátria Amada
BRASIL!
-0-
Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, SP, Brasil
Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos, Prêmio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: www.portas-lapsos.zip.net
Poema da Série: “Verás Que Um Filho Teu Não Foge à Luta”







sexta-feira, 8 de outubro de 2010

OS VERMES, POEMA





VERMES


O cientista no trem carregava um pote
De Vermes – para as suas experimentações
Na Estação de Itararé, o pesquisador
Levava inconclusões em seu empirismo

Sondei o homem triste, infeliz, ansioso
E contemplei os Vermes no pote de vidro
Fiquei com pena dos vermes, a irem
Com ele para o seu laboratório de Ser...

Depois fiquei com pena mesmo do homem
Os Vermes certamente melhores do que ele
Um dia o tomariam inteiro para si
E todos seriam vermes, homens, e eles...

Com pena do homem – (ou dos Vermes?)
Quedei-me a meditar todo confuso ali
Que Verme é o homem que mal se cabe em si
A procurar no bisonho o que de si é ver-se

-0-

Silas Correa Leite
Santa Itararé das Artes, SP, Brasil
Site: www.itarare.com.br
E-mail: poesilas@terra.com.br

sábado, 21 de agosto de 2010

Lá no Bar das Putas, Letra de Blues de Silas Correa Leite




Lá No Bar das Putas


(Letra de Blues)



Eles não me deram o céu, meu bem
Por isso eu fui morar na rua
E ali eu dormia abandonado como um cão sarnento rejeitado pela sociedade
Comendo do lixo e já surfando
As minhas bitucas de cigarro e de restos de drogas.


Eles não me deram o céu, baby
Por isso eu resolvi roubar
E assim me tornei poeta rueiro com cheiro de ser humano ferido até as tripas
Bebendo das águas das poças
Com o remédio de minha afiada navalha na alma.


Eles não me deram o céu, mãe
Por isso cresci me desafiando
E fui posto no mundo com um louco condenado a vegetar e ainda assim ser afinado
Amando as putas que me davam
As migalhas de lágrimas que tinham no coração.


(Refrão)
Mas eu sobrevivi, meu bem
Mas eu sobrevivi baby
Mas eu sobrevivi, mãe
Lá no Bar das Putas

Lá no Bar das Putas

Lá no Bar das Putas (bis)


(Para acabar)


Você não vai acreditar, baby/

Mas eu estou ficando cego
E ainda assim estou vendo Deus/

Ele toca saxofone e guitarra elétrica
Ele vai me dar o primeiro café com pão de crepúsculo cor de abóbora
Deus mora atrás do arco-iris/

Tem ouro, incenso e mirra nas mãos
Ele é o dono de todas as partituras

– Ele conhece todas as letras
Eu sou uma letra de blues de Deus/

Uma letra de blues de Deus, baby
Eu, um cafetão que fugiu de Itararé e sobreviveu no Bar das Putas em São Paulo...
-0-

Letra: Silas Correa Leite –

E-mail:
poesilas@terra.com.br
Música: (Quem se habilita?)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Bob Dylan, o Blues-Man da América Agônica






Bob Dylan, o Maldito Blues-Man Rompendo Sombras e Escuridões


(Improviso para uma Crônica-homenagem)


“Quando ouvi Bob Dylan, pensei:
Então ainda não chegamos ao fim da linha...”

Allen Ginsberg, Poeta dos Beatniks



Robert Allen Zimmerman do Minnesota, oeste Americano, judeu peregrino que cantou suas marés altas e baixas, violão e gaita de boca, alma desterrada do Mississipi, poeta denuncista, humanitário, louco sonhador, chuva varrida pelo vento. As pedras rolarão. As chuvas cairão. Com ele, Bob Dylan, os loucos reaprenderam a sonhar.

Um mito dos Anos 60/70/80/90... E não existe outro. O maior poeta da rica música norte-americana. A verve de Faukner, era determinado e destemido na sua sozinhez de tímido gritante, válvula pulsante, gigante. E nunca lucrou muito com seus trabalhos. Lenda vida, espírito-que-anda do rock, subiu, desceu, foi ateu, cristão, judeu, mirabolante experimentou tudo o que pôde para permanecer ele mesmo, carne e coragem.

Hippye pop com sua metralhadora musicoletral, atacando as guerras lucrativas-infames, contra elas todas, os podres poderes; fugiu de armadilhas e não se assinou dono da verdade, qualquer verdade-vaidade. Não aceitou becos ou guetos, bandeiras. A contracultura não como cofre cheio, mas com seu ascoletral contra totens. Poesia nas letras, obsessão, sarcasmo, regurgitando o que via, fio terra, sacava – a realidade é um revólver quente, (parafraseio The Beatles) - cantava, lia, ouvia, sentia e declinava para permanecer mutante, música braba na corrente sanguínea.

Trabalhava a língua-linguagem. E profetizava enquanto poeta do caos (e pré-caos ou pós-caos) arrancando do enraizado country-folk puro e simples para fazer escalas e escolas, cifras & partituras. Escrever sobre Dylan é um perigo. Benzadeus. Rios, braços, correntes, nosso capitão. Inspirado nele faz tempo escrevi Negredos:


“Negredos e Correntes” (Poema)


Libertar, eles libertaram, pelo menos no papel entre moinhos e arados/
Mas se indenizaram; indenizaram os escravocratas de roubos vezeiros/
Em vez de nos indenizarem; à nós, os trabalhadores afrobrasileiros/
E de alguma maneira ainda estamos a uma coivara Acorrentados/
Os pés presos a terra, os tornozelos, os braços, os punhos cerrados/
Os olhos viajam, a mente abstrai e o espírito nos traz de longínquos degredos/
Mesmo que na nossa negritude de amalgamados/
Sejamos agora os Negredos/
Pobres Negros abandonados/
Depois de levas de escravizados/
Temos nossas memórias, lamentos, banzos e medos/
Dos filhos deste solo de mestiços com seus forcados/
Mas os olhos, a boca, os sentidos, as mãos, os dedos/
Ainda gritam contra os dezelos sociais deste Brasil de acorrentados.

.............................................................................................................................

Nunca teve um sucesso dando lucro em primeiro lugar no hit parade. Não se deu lucro como seu meio. Influenciou Caetano e Belchior, o que por si só diz tudo e mostra a grandeza de ter sido o que foi e é & sempre será. Alma bem alimentada de raízes. Um branquelo judeu cor de mandioca vassourinha descascada cantando musica negra feito um pré-rapper?. A alma! a alma!. Já pensou?

Pretos, pobres, prostitrutas, moradores de rua, lutadores de boxe, gatos pardos, doidos, atirados, todos lavavam a alma no seu cantorio feito um folk-pop-banzo anglo-saxônico norte-americano. A América é um blefe? Deu vida aos miseráveis, feito um Walt Whitman pássaro preto da música em pé de guerra e letramentos contra uma América rica e injusta e amoral. Sentir dói. Testemunha de nódoas cantou-as, pulso a pulso. Um gênio na essência da palavra e também literalmente falando (por isso mesmo) tirou de letra.

Fizeram-no um mito mas ele se humanizou o mais que pôde. Não se perdeu como outros tantos, entre drogas e egos insarados nas insofrências. Não quis aura ou signoficante. Merece e faz tempo um Prêmio Nobel da Paz, da Literapura, qualquer coisa joiada assim.

Seu canto contra a guerra:

SENHORES DA GUERRA
Bob Dylan
"Vós, senhores da guerraQue construís canhõesQue construís aviões da morteQue construís grandes bombasQue vos escondeis atrás de murosQue vos escondeis atrás de secretáriasQuero que saibamQue vejo através das vossas máscarasVós, que jamais fizestes outra coisaPara além de construir para destruirJogais com o meu mundoComo se fosse um brinquedoDais-me uma arma na mãoE escondeis-vos do meu olharE virais as costas e fugis bem depressaQuando as rápidas balas cruzam o arComo o velho JudasMentis e enganaisQuereis que acrediteQue uma guerra mundial pode ter vencedorMas vejo para além dos vossos olhosE vejo para além da vossa menteComo vejo através da águaQue escorre pelo meu cano de esgotoVós preparais os gatilhosPara que outros os puxemDepois recostais-vos e apreciaisQuando o número de mortos aumentaEscondeis-vos nas vossas mansõesEnquanto o sangue escorreDos corpos dos jovensE se mistura com a lamaVós espalhastes o pior pavorQue poderia ser lançadoO medo de trazer criançasAo mundoE por ameaçar meu filhoNão nascido e sem nomeVós não valeis o sangueQue corre em vossas veiasEu sei de muitas coisasPara falar fora da minha vezTalvez me chameis de jovemOu de ignoranteMas há algo que seiEmbora seja mais novo que vósMesmo Jesus jamaisPerdoaria o que fazeisQuero perguntar-vos algoSe é vosso dinheiro que valePara comprar vosso perdão?Se achais isso possívelPenso que descobrirãoQuando a morte vos chegarQue todo dinheiro ganhoNão vos devolverás a alma"
________________________
(Tradução livre de "Masters of War", do álbum "Freewheling Bob Dylan" de Bob Dylan, lançado em 1963, tempo de guerra dos EUA contra Vietnã)
Cortou a carne da América, na sua própria. Era parte branca e opressora dela, como também era filho de imigrantes (russos-lituanos) e sabia a dor da saga, de cada um com sua diáspora, cada ser-ilha com suas mensagens de socorro em garrafas, palavras, sons, enfrentações e enfrentamentos íntimos fechados, ciclais.

Parafraseando o próprio Bob Dylan, quando o ouço, em seu sussurro vento-singer, penso que tudo o mais é sacrilégio e a minha alma voa. Uma forte chuva vai cair?

-0-

Silas Correa Leite, Itararé-SP, Brasil
E-mail:
poesilas@terra.com.br
Autor de CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design
Site:
www.portas-lapsos.zip.net


domingo, 16 de maio de 2010

Boneca Inflável (Seguindo a Rota Sul) - Letra de Blues, Silas Correa Leite




Letra de Blues

Boneca Inflável (Seguindo a Rota Sul)

Não há final feliz, baby
Continue cheirando
O som do auto-rádio está baixo
Parece que vai chover
Ouça o blues, baby
Ainda é madrugada agora
Com esse revolver podemos conseguir cervejas e cigarros facilmente
Desde que você esteja inteira
Seguindo a Rota Sul.................(
Itararé tem noite de céu azul ( bis

Não há final feliz, baby
Continue dirigindo
Meu coração é um contrabaixo
Parece que vou explodir
Ouça a noite, baby
Ela está dentro de nós agora
Com esse seus enormes peitos de plástico teremos gasolina grátis
Desde que você não expluda
Seguindo a Rota Sul................... (
Itararé tem a aurora toda azul (bis

(Para acabar)

Estamos chegando, baby
Não vaze esse gás

Comporte-se como uma lady
Uma mão na frente e outra atrás

-0-
(Letra: Silas Correa Leite
Música:..............................)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ideias Noturnas - Livro de Contos - Resenha Literária

Pequena Resenha Crítica

“Ideias Noturnas - Sobre a Grandeza dos Dias”, Livro de Contos de Eduardo Sabino

“O dia-a-dia não precisa ser extraordinário para
ser interessante. O cotidiano é riquíssimo de assuntos
e acontecências de toda espécie – fora e dentro da gente.
É só ficar com as antenas ligadas – as antenas da
curiosidade dos sentidos e dos sentimentos, de
senso critico, de senso poético, sem
esquecer do importantíssimo e
indispensável senso de humor”

Tatiana Belinsky

Você não consegue ler o livro de Contos “Idéias Noturnas” (Editora Novo Século, SP, 2009, 120 páginas, Série Novos Talentos da Literatura Brasileira) de uma só levada, a um só termo. Você é inesperadamente surpreendido na pegada de lê-lo e saber que tem que respirar a leitura, de alguma forma por si mesmo e de per-si, pontuando-a. Parar. Stop. Voltar a tomar pé e pulso no verbo ler. Reler. Porque cada vez que sondando antevê, “pensa” que é, que sonda o arremedo narrativo do devir, o tema e o andamento, mas tudo o que sentia parecer na verdade não é. Contos incomuns, algo (raros) estranhos, por assim dizer como elogio. Tiram você da lerdeza do ler puro e simples para uma sentição do que lê e admira. Grandeza dos Dias? Dos escritos também.

Os contos de Eduardo Sabino são claramente (literalmente) diferenciados. Escreve com uma boniteza que reveste a surpresa da contação em agradável prazer de leitura. Já ganhador de Concurso, participante de antologias, colaborando com veículos de comunicação, inclusive sites, é também editor da revista eletrônica “Caosletras.blogspot.com”. Nasceu em 1986, e, sendo tão novo e tão bom, denso, contundente que seja, é encanto gratificante sabê-lo e conhecer desenhos da escrita dele nesse novo livro de contos.

Otimamente bem Prefaciado por Rinaldo de Fernandes, que dele aponta com conhecimento de causa: “O protagonista do conto (Purgatório, pg 25) está entre o sonho e a realidade de um cotidiano desbotado(...). A vida eterna não nos resolve a angústia de viver (Eternas Angústias de um Imortal, pg 29)(...). Os contos de Eduardo Sabino, irônicos e intensos, com personagens angustiados, alguns à borda do desespero, não raro flagrados em situação de pobreza(...)”. Pois é, ironias, seres (quase-seres/sub-seres), animais, máscaras, monstros, vírus, loucuras... baratas. Doce Lar? Não há nexo na vida real.

Purgatório é sim, um conto sobre um “ser” urbanóide no entre-subsolo de um elevador; sobe, desce, lamurias, contemplações, martírios; reinando. O ser que incabe em si. Desconexões. Vazios. Impertinências (e um olhar ferino) do escritor retratando o ser de si no que vê, sente, repagina; em páginas de restos até porventura rotos que assim sejam. O olhar aproximando da trajetória alheia. “Todos abençoados porque estão vivos. Abençoados porque morrerão” (pg 31). Santo Deus!

Abismo (pg 33) uma das melhores criações do livro. Linda ficção. O abismo é viver; que é ser feliz, que é (talvez?) a própria estupidez de tentar ser Ser... A retina do escritor reformatando aspectos invisíveis, risíveis, verossímeis... criados, imaginários; resgatados também da rudeza dos dias... Sim, diz Eduardo Sabino, é preciso estar muito próximo para conversar a língua do olhar. (Céu Aberto, pg 49). Um roteador de sombras, como um eu-endereço-de-mim, em mim e no outro. “La Sombra”, belo conto, pg. 53, especifica o norte (mote?), o estilo: “La Sombra, a essas alturas um vulto com olhos amarelos e fiapos de cabelo, sugeriu que poderia haver uma esperança se os outros enxergassem melhor o que achavam tratar de meros contornos desprovidos de luz(...).

Eduardo Sabino joga luzes letrais em contornos que redescobre, pincela, amalgamado capta nuances, enlivra desafetos afins, defeitos de fabricação do humanus. De heróis a anônimos, povoando a criação (O Herói e o Escuro, pg 57) a situações-conflitos, rostos e trevas, ideias verbais (aqui noturnizadas). Seres?. Retratando tristezas que nascem e morrem a cada dia. What a Wonderful World?

Banzo (pg 75) emociona, cala fundo. Dói no literal. O melhor dos trabalhos. E por aí vai, O Inquilino, O Jardim Encantado, e outros tantos do mesmo gabarito. Eduardo Sabino relata aspectos (de condições humanas) entre espectros sub-existenciais até. De se ler com prazer, mais, entrar na alma da contação, satisfazer-se, sendo a leitura de “Idéias Noturnas” um imenso (muito) prazer. É o autor com talento dando voz aos desvalidos, aos tantos instantes-trevas da vida, inclusive a fragmentos de vidas retorcidas. Senti-las é isso. Escrever sobre elas, dando peso e fermento; purgações, coisa de quem está fazendo muito bem o que se propõe. In/purezas no pântano da condição humana? O criador se encontra no(a) self?

Nesses tenebrosos dias em que ando muito triste sozinho, escrevendo na pele do espírito a dor de um momento difícil, nervos frágeis à flor da pele, a leitura circunstancial do livro colocou um (algum) certo sentir novo (e revisitado no íntimo) em mim, como se tudo fosse mesmo só isso, cara pálida, nascer, sobreviver, morrer, no durante contorcer-se com a nossa dor, a dor dos outros, e, ainda assim e por isso mesmo captar a grandeza dos dias. Será o impossível? Tudo a Ser.

Entrar no mundo criacional de Eduardo Sabino é ter a sensação de que se lê uma história que nasceu por si mesma, em si mesma, como referendou Julio Cortazar. E assim Eduardo Sabino acertou em cheio, acertou a mão. É do ramo e muito bem conhece do oficio e da linguagem de. Contos para se ler com o olhar, afinando-se na riqueza de quem sabe dar vazão a querelas talvez corriqueiras que parecem sair da esquina do olhar; de um beiço de vida, num clarear de tardes e pertencimentos de seres que também são a nossa cara, pois a existêncialização não é nem uma herança e nem uma evolução apenas, mas, um certo modo de nos envolvermos com o sentido social-comunitário de nos fazermos em cada natureza de criadores e criaturas, feito espécies assim de “antenas” (parabolizadas) de nosso tempo, registrando tudo, doa a quem doer, custe o que custar. E dói muito mais em nós, sentidores, entre prismas e colchas de retalhos com sabenças sensíveis de foro íntimo. Goethe diz que “qualquer coisa que formos capaz de fazermos ou que sonhamos que somos capazes, devemos começar a fazer, pois a coragem traz consigo gênio, poder e magia”.

“Idéias Noturnas” é a magnitude de tudo isso e um rebite a mais. Sintam-se humanóides. Bem-vindos ao mundo literário de Eduardo Sabino e suas fragrâncias de dias cheio de ideias literariamente clarificadas.
-0-
Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, SP, Brasil
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net
Autor de CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design, SC

sábado, 30 de janeiro de 2010

Nostálgico Blues Subterrâneo




Nostálgico Blues Subterrâneo

- Bob Dylan.


Johnny está no porãoMisturando medicamentosEu estou no pavimentoPensando no governoO cara de sobretudoDe distintivo, ferradoDiz que está com um nó na gargantaQuer pagar para se livrarOlhe garotoFoi algo que você fezDeus sabe comoMas você está fazendo de novoMelhor você tropeçar parque abaixoProcurando por um novo amigoO homem de chapéu de guaxinimCom a grande canetaQuer onze notas de dólarVocê só tem dezMaggie vem ao pé da frotaCara cheia de fuligem pretaFalando que o calor pôsErvas na cama, masO telefone está desligado, mesmo assimMaggie diz o que muitos dizemPrecisa atacar no começo de maioOrdens do departamentoOlhe garotoNão importa o que dizAnde na ponta dos dedosNão ande com deslocadosMelhor se manter afastado destesDo que se meter em bizarricesMantenha o nariz limpoObserve as roupas da modaVocê não precisa do homem do tempoPara saber de que lado o vento sopraFique doente, fique bemArrume uma tatuagem legalBalance o pinto, é difícil falarSe alguém vai venderVá atrás, seja barradoVolte, escreva em BrailleSeja preso, salte a cercaEntre para o exército, se falharOlhe garotoVocê vai arrasarMas usuários, trapaceirosCompletos perdedoresRodeiam os teatrosGarota na piscinaProcurando um novo otárioNão siga líderesObserve os medidores dos parquímetrosAh nasça, fique calmoCalças curtas, romance, aprenda a dançarVista-se, seja abençoadoTente ter sucessoAgrade-a, agrade-o, compre presentesNão roube, não furteVinte anos de escolaE eles o colocam no turno diurnoOlhe garotoEles mantêm isso escondidoMelhor pular num bueiroAcenda para si uma velaNão use sandáliasTente evitar escândalosNão queira ser um vagabundoMelhor mascar chicleteO barril de bebida não funcionaPois os vândalos levaram a alavanca

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal 2009




Mensagem de Natal

DEZ DICAS PARA O NATAL E PARA SOBREVIVER EM 2.010


(Primeiro Tratado de Primordiais Virtudes Básicas)


01)-Lembre-se sempre que você estabeleceu metas antes mesmo de começar a existir.

02)-Nunca respeite seus limites circunstanciais de trajetos cósmicos. Na dúvida ou em dezelo íntimo, aprenda a fazer biscoitos de prelúdios silvestres.

03)-Escolha estrelas-referenciais com alto estilo. Faróis humanos são abençoados, mágicos, brilhantes. Farão você se encontrar em você.

04)-Procure o seu mais puro e devido lugar de muito bem ser, para então ser muito bem e crescer nesse seu espaço todo próprio de se existencializar. Alguns chamam isso de lar. Mas um grande amor também pode ser um lar. O seu melhor lugar-lar é dentro de você mesmo. Seja feliz no seu estar em si.

05)-Não tenha horário para nada. Tenha sintonia. E se tiver, relaxe e goste. Tudo é lição de passagem. Ame amar o amor de cada momento todo seu de ser estar e permanecer-se.

06)-Leve seus assuntos íntimos e pessoais para passear com você, mostre os caminhos, as trilhas, os relevos, e quando for dormir, esgote seus pesadelos entre o vermelhão dos extintores de incêndios dos anjos.

07)-Aceite palpites mas teste-os sempre em você mesmo, no amor e na dor, na alegria e na tristeza, no claro e até no clima ambiental de média luz.

08)-Não acredite em tudo. Desconfie até de você mesmo. Não queira ser o que você não é. Não queira ser o que você não saberia ser, nem agüentaria suportar o tranco de ser no futural. Faça bem para você mesmo, fazendo bem aos outros no entorno. Sempre ficamos em paz conosco quando nos fazemos um bem amplo, humanista e territorial.

09)-O mundo inteiro é seu professor. Saiba ser eterno aprendiz. Seus problemas são seus professores. Aí incluindo inimigos, situações-conflitos de riscos, solidões coivaras, músicas da alma, diferenciais de rotas improvisadas, pragmatismos, atropelos, vazantes lacrimais.

10)-Vida é treino. Viver é estar no apuro do esforço físico, mental, emocional e espiritual de lapidação. Viver é, assim, estarmos sempre afinando instrumentos de capacitações em estúdios abertos de nossos espíritos peregrinos.


-0-


Feliz Natal 2009 – O Ano Que Vem Vai ser Dez
Silas Correa Leite – E-mail:
poesilas@terra.com.br
Site: www.itarare.com.br/silas.htm

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Salmo Para Julia Moura Lopes, Porto, Portugal





Salmo para Julia Moura Lopes, do Porto, Portugal


Senhor, tende piedade dos meus pés descalços
Sobre a calvície oblíqua da terra cor de sangue
E olhai para as bolhas de água dos meus dedos
Que singram carcaças nunca dantes navegadas

Senhor tende piedade das espigas de milho
Que colhem o ouro do sol com energia atomal
E nos devolvem em broas e pudins e horizontes
Que dedilhamos sementes em almas andarilhas

Senhor tende piedade da água na ponte de pedra
De uma Portugal que é prelúdio dentro da gente
E abençoai a alma poética da amiga Julia Moura
A escrever-nos em salmouras santas na distância

E por fim, Senhor tende alguma piedade de mim
Lusonauta trazido da Ilha da Madeira numa leva
Todos na diáspora a fugir do terror de uma cruz
E por teu santo nome nos fizemos brasilíndios

Nesta américa latina em pó deixamos os finca-pés
De ancestrais lusos com líricas em santas cítaras
E no escambo a poetar com a alma de Julia Moura
Nossas lágrimas de sangue o olhar dela de pepitas

-0-

Silas Correa Leite
E-mail:
poesilas@terra.com.br
www.campodetrigocomcorvos.zip.net

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

SERVIDÃO - Letra de Rock Poema de Silas Correa Leite






Letra de Rock (Quem Se Habilita a Musicar?)


Servidão


A servidão voluntária dos grupos
Tribais,
Sexuais,
Sociais
Cabeças vazias arrotando culpas
Sintomas de subcretinos insensíveis quase
Canibais


Todos submissos, pífios, incultos
Amorais,
Animais,
Consensuais
Mentes vagando no nada absoluto
Cotas de sem cérebro, hipócritas, janotas
Boçais


A servidão de condomínios insepultos
Letais,
Fecais,
Presenciais
Tribos, grupos, panelas, totens, posudos
Chacais


A solidão voluntária da falta de escrúpulos
A solidão voluntária da falta de escrúpulos
A solidão voluntária da falta de escrúpulos
-0-
Letra de Rock/Poema: Silas Correa Leite
E-mail:
poesilas@terra.com.br
www.itarare.com.br/silas.htm


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

H2OUTROS - Letra de Rock Poema






H2OUTROS


A bomba que te espera
Não virá da estratosfera
Mas do lixo que produziste na primavera
Haverá na terra tanto aterro sanitário
Que até tu otário
Já era

A bomba que te virá
Do céu não irromperá
Mas do pão e mel que faltará
E a fome horrendo que será
A bomba atônita de tua era

Por fim e por fatal mágoa
A bomba da falta dágua
Onde um bilhão de humanagente é pouco
Dois bilhões de gados marcados entre porcos
E a bomba H 2 Outros

-0-

Letra

Silas Correa Leite

Poema da Série: H2OUTROS – Letras de Rock Poemas

E-mail:
poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Poema ao Poeta Silas Correa Leite, por Arine de Melo Jr




Ao Poeta
Silas Correa Leite:



Poema do Poeta

vida e morte,
um homem na rua.
sonho e realidade,
um homem no céu.
céu e morte,
inferno de um homem.
um poeta, a obscuridade,
além disso,
simbiose do meio,
meio alma, ouro,
meio ouro, nisso.
literomaníaco,
sem dilema, esforço,
formalidade ou gênero,
poeta primeiro...
alem disso,
nada, palavra sem veio.
poeta que é poeta,
vive, a serviço...


Arine de Mello Jr. 13/11/09

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A CURA - Poema Querendo Ser Letra de Rock



A Cura (Orbitação)
(Poema Querendo ser Letra de Rock)

A aspirina não cura a dor da consciência
A cocaína não bota luz na sua ausência
O ipod não vai te levitar
Range rede mas é só um som virtual
Que cura
É a sua loucura
Nessa entrevada procura?

O papo de bar é só uma luz no seu self
Igreja não vai substituir você de você
O humor é colírio no espírito
Ser feliz é muito mais que casual
Que paz
Que você corre atrás
Se mudanças em si não faz?

Fugir é sempre muito dentro da gente
Vegetar é um futuro ponto de interrogação
Morrer é de todo jeito
Só os imbecis são quimicamente felizes
Que razão
É a sua orbitação
Sem noção existencial?

-0-

Silas Correa Leite, Itararé-SP
E-mail:
poesilas@terra.com.br
www.itarare.com.brsilas.htm

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

AMY WINEHOUSE - Letra de Rock






...........................................................................................


eles tentaram me fazer ir para a reabilitação

mas eu disse “não, não e não"

sim, eu já passei pelas trevas,

mas quando eu voltar

saberia-sei-saberei
eu não tenho tempo

e se meu pai acha que eu estou bem

ele tem tentado me fazer ir para a reabilitação

mas eu não vou-vou-vou
prefiro estar em casa com meu amor

eu não tenho setenta dias

porque não há nada

não há nada que você possa me ensinar

e não posso aprender com o psiquiatra

eu não tive um monte de aula

mas eu sei que não entro em uma redoma de vidro
eles tentaramme fazer ir para a reabilitação

mas eu disse “não, não, não"

sim, eu já passei pelas trevas,mas quando eu voltar

saberia-sei-saberei
eu não tenho tempo

e se meu pai acha que eu estou bem

ele tem tentado me fazer ir para a reabilitação

mas eu não vou-vou-vou
o doutor disse:"por que você acha que está aqui?"

eu disse: "eu não tenho idéia.eu vou, eu vou perder o meu bebê,então eu não quero uma garrafa por perto."

o doutor disse:"eu só acho que você está deprimida,beije-me aqui, baby, e vai descansar."
eles tentaramme fazer ir para a reabilitação

mas eu disse ”não, não e não"

sim, eu já passei pelas trevas, mas quando eu voltarsaberia-sei-saberei
eu não quero jamais voltar a beber

acabei, oh, eu só preciso de um amigo

eu não vou passar dez semanas pra todo mundo querer saber o que vou usar sobre o curativos
não é só o meu orgulhoa dor também seca minhas lágrimas

eles tentaram me fazer ir para a reabilitação

mas eu disse “não, não e não"sim, eu já passei pelas trevas,mas quando eu voltar saberia-sei-saberei
eu não tenho tempo e se meu pai acha que eu estou bem

ele tem tentado me fazer ir para a reabilitação

mas eu não vou-vou-vou


amy winehouse


(By Thadeu Wojciechowski)

domingo, 16 de agosto de 2009

Raul Seixas, Mosca na Sopa do Rock




Metamorfoses


Raul: Assim Seixas!


Trombadinha é a fome

(Pichado Num Muro in Sampa)



-A última vez que o vi, estava saindo da sede do então Diário Popular, o mesmo jeitão alumbrado, então o cumprimentei por educação – não sou do tipo fã histérico ou baba-ovo - mas o Raul Seixas simplesmente apertou a minha mão demoradamente e me deu um abraço, como se eu fosse da familia. Familia Contra Ataca?

-Pensei, discriminando, claro, com os meus botões: deve estar pirado, entrou numas. Ora, isso ele sempre foi em todos os sentidos e insurgências. Já pensou? Depois ouvi o blues lindo que ele fez quando internado numa clínica periferia s/a da vida. Correm as lendas.

-E vai uma: depois de procurar o que tomar, viu embaixo da pia de casa um litro meio que escondido de vinho. Mamou direto. Alguém da casa chegou e, vendo o caso vazio, reclamou na bucha: o vinho tava azedado, tinham guardado pra usar como vinagre. Ele, o Seixas Raul tomou o livro de vinagre inteirinho.

-Canções com letras-mantras. Com letras-protesto. Com letras-crônicas. Com letras que mesmo aqui e ali tachadas de birutas, davam sentido a voos músico-letrais. Ou lítero-musicais. Todo ele uma espécie mestiço tropical-latino de Zimermam-Dylan na fase woodstock. Será o impossível?

-A metamorfose ambulante que bagunçava as opiniões formadas sobre tudo, escamoteando os ouros de tolos. E os tolos de ouro da vida mumificada em regras, modismos e hipocrisias gerais... Era o roqueiro daqueles anos festivais-vernizes, típico mochileiro, maconheiro, festeiro e criticador de peso e quilate. Na veia.

-Raul Seixas criticou igrejinhas, teve a tchurma toda a favor, porque ele criticando no fazer arte era um, no dia-a-dia era uma flor, uma moça. Qualquer musica dele cantada por qualquer um, vira sucesso. Porque ele foi único no que fazia de rock pauleira para ser comestível entre pizzas e crushs. Pois é.

-Pouca voz e muita letra. Se surgisse hoje, estouraria. Pra época era vanguarda. O Brasil tem nele o melhor roqueiro, melhor que Rita Lee (que de ovelha negra pintou global, argh!), pré Cazuza, pré Legião, uma espécie adiantada de Cássia Eller de blue-jeans. Já pensou?

-Se fizesse teatro, seria Plinio Marcos. Se fosse poeta, seria Glauco Matoso. Se fosse fêmeo seria Elis da fase pimentinha ao deus-dará. Mas era único no gênero, figurinha carimbada.

-Sentado no trono de seu apartamento, tinha idéias, corria compor, tava escrita a letramusica. Amigão, tinha momentos de recolhimentos, encucava essas e outras estações, mas, pan-arteiro, sabia que em tudo havia arte e ele tinha um seu próprio filão. Sorte da MPB que com ele foi muito mais que MPB. Foi Música Popular Parabólica. Parabolizado. No entanto, muito mais do que parcialmente fervido, no frever dos ovos.

-Agora, mais do que nunca, o andam cantando em verso e prosa pelaí. Deve ser alguma coisa datada. Mas se você cansar da nova música popular brasileira, que não é nova, não é música, não é popular, não é brasileira, ouça o Raul. Se você penou com a fase neobossa nova das novelas globais, saque o Raul. Ou mãos ao álcool. Pior, se você cansou desses novos roqueiros bananas que viçam bigs brothers por aí, ouça o Raul e que o Raul seja, quero dizer, trocadilhando, Raul Seixas!

-Pra ser um puta roqueiro, tem que ouvir Raul Seixas primeiro. Dá saudades. Para não dizer que não falei de flores, como é que pode morrer tão cedo? Por essas e outras, perdemos a cabeça estrambólica dele que dava o que falar, o que não falar, o que assinar embaixo, cantando refrões e letras diferenciadas.A Mosca da sopa das brasileiranças ufanistas pra curtume
-Um saradíssimo porra-louca, fazendo carnavales com guitarras e algo entre Hawai e Índia. Hawaíndia? Como cabeças & mentes marcam, fazem falta, ele ainda será cantado por tantas gerações futuras. Da que veio geração tubaína, passou pela geração coca cola, e agora cai no diapasão da Geração Teflon, que esquenta mas não quer realmente aderência. Tensão para exatidão, diria Paul Valery.

-Raul Seixas se foi pra ficar

-Assim Seixas!

-0-

Silas Correa Leite, Letrista-compositor de rocks, blues e baladas inéditas
E-mail:
poesilas@terra.com.br - Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas Hilárias de um Poeta Boêmio – Giz Editorial, SP, no prelo, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador Bahia 2009

Raul Seixas, Mosca na Sopa do Rock



Metamorfoses


Raul: Assim Seixas!


Trombadinha é a fome

(Pichado Num Muro in Sampa)



-A última vez que o vi, estava saindo da sede do então Diário Popular, o mesmo jeitão alumbrado, então o cumprimentei por educação – não sou do tipo fã histérico ou baba-ovo - mas o Raul Seixas simplesmente apertou a minha mão demoradamente e me deu um abraço, como se eu fosse da familia. Familia Contra Ataca?

-Pensei, discriminando, claro, com os meus botões: deve estar pirado, entrou numas. Ora, isso ele sempre foi em todos os sentidos e insurgências. Já pensou? Depois ouvi o blues lindo que ele fez quando internado numa clínica periferia s/a da vida. Correm as lendas.

-E vai uma: depois de procurar o que tomar, viu embaixo da pia de casa um litro meio que escondido de vinho. Mamou direto. Alguém da casa chegou e, vendo o caso vazio, reclamou na bucha: o vinho tava azedado, tinham guardado pra usar como vinagre. Ele, o Seixas Raul tomou o livro de vinagre inteirinho.

-Canções com letras-mantras. Com letras-protesto. Com letras-crônicas. Com letras que mesmo aqui e ali tachadas de birutas, davam sentido a voos músico-letrais. Ou lítero-musicais. Todo ele uma espécie mestiço tropical-latino de Zimermam-Dylan na fase woodstock. Será o impossível?

-A metamorfose ambulante que bagunçava as opiniões formadas sobre tudo, escamoteando os ouros de tolos. E os tolos de ouro da vida mumificada em regras, modismos e hipocrisias gerais... Era o roqueiro daqueles anos festivais-vernizes, típico mochileiro, maconheiro, festeiro e criticador de peso e quilate. Na veia.

-Raul Seixas criticou igrejinhas, teve a tchurma toda a favor, porque ele criticando no fazer arte era um, no dia-a-dia era uma flor, uma moça. Qualquer musica dele cantada por qualquer um, vira sucesso. Porque ele foi único no que fazia de rock pauleira para ser comestível entre pizzas e crushs. Pois é.

-Pouca voz e muita letra. Se surgisse hoje, estouraria. Pra época era vanguarda. O Brasil tem nele o melhor roqueiro, melhor que Rita Lee (que de ovelha negra pintou global, argh!), pré Cazuza, pré Legião, uma espécie adiantada de Cássia Eller de blue-jeans. Já pensou?

-Se fizesse teatro, seria Plinio Marcos. Se fosse poeta, seria Glauco Matoso. Se fosse fêmeo seria Elis da fase pimentinha ao deus-dará. Mas era único no gênero, figurinha carimbada.

-Sentado no trono de seu apartamento, tinha idéias, corria compor, tava escrita a letramusica. Amigão, tinha momentos de recolhimentos, encucava essas e outras estações, mas, pan-arteiro, sabia que em tudo havia arte e ele tinha um seu próprio filão. Sorte da MPB que com ele foi muito mais que MPB. Foi Música Popular Parabólica. Parabolizado. No entanto, muito mais do que parcialmente fervido, no frever dos ovos.

-Agora, mais do que nunca, o andam cantando em verso e prosa pelaí. Deve ser alguma coisa datada. Mas se você cansar da nova música popular brasileira, que não é nova, não é música, não é popular, não é brasileira, ouça o Raul. Se você penou com a fase neobossa nova das novelas globais, saque o Raul. Ou mãos ao álcool. Pior, se você cansou desses novos roqueiros bananas que viçam bigs brothers por aí, ouça o Raul e que o Raul seja, quero dizer, trocadilhando, Raul Seixas!

-Pra ser um puta roqueiro, tem que ouvir Raul Seixas primeiro. Dá saudades. Para não dizer que não falei de flores, como é que pode morrer tão cedo? Por essas e outras, perdemos a cabeça estrambólica dele que dava o que falar, o que não falar, o que assinar embaixo, cantando refrões e letras diferenciadas.A Mosca da sopa das brasileiranças ufanistas pra curtume
-Um saradíssimo porra-louca, fazendo carnavales com guitarras e algo entre Hawai e Índia. Hawaíndia? Como cabeças & mentes marcam, fazem falta, ele ainda será cantado por tantas gerações futuras. Da que veio geração tubaína, passou pela geração coca cola, e agora cai no diapasão da Geração Teflon, que esquenta mas não quer realmente aderência. Tensão para exatidão, diria Paul Valery.

-Raul Seixas se foi pra ficar

-Assim Seixas!

-0-

Silas Correa Leite, Letrista-compositor de rocks, blues e baladas inéditas
E-mail:
poesilas@terra.com.br - Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas Hilárias de um Poeta Boêmio – Giz Editorial, SP, no prelo, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador Bahia 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

QUEM? - Letra de Rock de Silas Correa Leite





QUEM?


(Letra de Rock)



Não há vagas para todos
Não há leite e mel e brioches para todos
Não há terras e diplomas e oxigênio para todos
De que lado você está?

Você pode estar ocupando uma vaga
Você pode estar tomando o leite de um cidadão produtivo
Você pode ter propriedades-roubos que não lhe cabem
Você pode estar produzindo muito menos do que você deveria
De que lado você quer ser?

O seu lugar não é seu e está muito mal ocupado
Você não vale o leite que consome
Seu diploma não lhe deu a devida instrução
Você é um obstáculo para o desenvolvimento
Quem você pensa é?

(Refrão)
Você é o ilustre QUEM?
Você é o inútil QUEM?
Você é o analfabeto existencial POR QUÊ?
Você nuca soube o que fazer de VOCÊ? (Bis)
Abra os olhos e veja a medida do leite
Abra o cérebro e deixe vazar o instintal
Tome seu lugar na máquina e produza
Faça por merecer a sua vida
Ou você não sabe nunca o que fazer?

Vaga, leite, mel, terra, diploma, emprego, totem, prazer ( )
Em que marionete você precisa se espelhar para viver? ( bis )


-0-


Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes
E-mail:
poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net